quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os larápios de Santa Maria



Athos Ronaldo Miralha da Cunha

A segurança dos bancos está preparada para ataques violentos e armados ou para uma ação na calada da noite com câmeras e alarmes sofisticados tecnologicamente. Os possíveis assaltos são tumultuados, traumáticos e estressantes. Isso é o que rezam as cartilhas.
O que ocorreu no Banco do Brasil da avenida Rio Branco em Santa Maria escapa do lugar-comum de como imaginamos um assalto. Envolve planejamento estratégico, organização, audácia, um roteiro bem elaborado e uma tremenda cara de pau. Claro, atores em cena.
Quando imaginamos um assalto a banco vemos bombas, armas de fogo, maçarico, marginais mascarados e, no caso do assalto ao Banco Central em Fortaleza, a escavação de um túnel. O tradicional “mãos ao alto” só nos românticos filmes de bangue-bangue. No caso de Santa Maria os larápios entraram durante o expediente, sem armas, sem alarde e sem violência.  Simpáticos, até. Uma espécie de Black Blocs às avessas. Não cometeram homicídios, não fizeram reféns, não causaram pânico e nem danificaram o patrimônio. Eles, simplesmente, distraíram os vigilantes, os caixas e um supervisor. E um dos componentes da quadrilha entra, calmamente, numa área restrita aos funcionários e “saca” 300 mil reais. Nem precisou de senha numérica ou silábica. E não deu a mínima para o saldo em conta. Simples, não! Como é que ninguém pensou nisso antes?
Devo confessar. Admiro a performance desses atores. Um roteiro hollywoodiano, uma interpretação digna de Oscar e uma calma felina. Pela capacidade de planejamento, organização e atuação os larápios deveriam ganhar uma menção da Cacism ou da Febraban. Quem sabe, Palma de Ouro ou, no mínimo, o troféu Lanterninha Aurélio de melhor curta, com o tema cooperação, no Santa Maria Vídeo e Cinema.
Os bancos são as empresa que mais gastam – investem – em segurança no Brasil. No entanto, os gatunos fizeram um assalto custo zero. Aliás, o custo do assalto foi o valor do estacionamento em que deixaram os carros para a fuga. Um assalto histórico nessa Boca do Monte.
Nessa tarde chuvosa de janeiro faço uma contagem de meu saldo no caixa e percebo que está tudo em ordem. Ninguém pescou minhas onças pintadas e garoupas. E vou fechar a porta do cofre, pois aquela freirinha que está conversando com o vigilante no sopé da escada... não sei não. Altamente suspeita.
 


Um comentário:

Michele Venzo disse...

Pois é, uma calma e frieza tamanha que se deram ao trabalho de ir pegar o carro no estacionamento. Nem dá pra classificar isso como fuga.