quinta-feira, 12 de março de 2015

Impeachment da Dilma



Athos Ronaldo Miralha da Cunha

O primeiro “Fora” que participei, e com relativo sucesso, foi o “Fora Collor”. Um momento histórico ímpar para os brasileiros, com efervescência política e muito envolvimento dos cidadãos de todas as camadas da sociedade. Clamava-se, naqueles anos 90, por menos corrupção e mais seriedade com a coisa pública. O “Fora Collor” culminou com o impeachment do presidente que renunciou ao cargo na undécima hora. No meu entendimento a cena mais marcante daquele período foi, justamente, os panos pretos nas janelas dos edifícios de todo o Brasil. Aquela atitude decretou o fim da Era Collor no Palácio do Planalto, na Casa da Dinda e no Lago Paranoá com o seu jet ski.
Collor amargurou o banco de reserva por dez anos e hoje é um senador e aliado político de seus principais algozes. Fazer o quê?
Outros “Fora” foram propostos nessa vida republicana brasileira. O “Fora Sarney” não fora suficiente para defenestrá-lo do poder. O “Fora FHC” surgiu em algumas manifestações e textos na mídia, principalmente, quando a emenda da reeleição fora aprovada e, até hoje, pouco convincentemente explicada. Quem estava por fora naquele período era justamente o povo. O “Fora Yeda” foi o mais ineficaz dos “Fora” dos últimos anos. A governadora passou incólume e altiva embora claudicante.
Esses “Fora” não prosperaram porque não havia indícios para abertura de inquérito, como também, vontade política, porque impeachment, como sabemos, é um julgamento político.
O “Fora Dilma” ganha adeptos por conta de todos os desmandos dos políticos das últimas décadas. É o trasbordamento de quem não aguenta mais tanta corrupção e poucas atitudes convincentes de gestores públicos. É um basta. É um chega. O “Fora Dilma” como discurso político e engajamento de militantes é legítimo. Afinal, estamos numa democracia. Agora, o caminho é longo até a abertura – se houver – do processo de impeachment. A sociedade precisa ter ciência de todos esses trâmites. O discurso “afoito” só da boca para fora diante de um microfone.
O processo de impeachment é um julgamento político e, sendo assim, envolve as engrenagens e interesses dos nossos parlamentares do Congresso. E isso escapa por entre os dedos de reles mortais. Mas acredito que não prospera, creio que o melhor para o país é a presidente Dilma ser julgada com o voto em 2018. A presidente Dilma precisa de um estafe que faça uma análise real e menos militante dos gritos das ruas. E tomar as rédeas desse governo.
Alguém aí falou em golpe? Também não acredito – sou descrente e já faz um tempinho –, acredito nas instituições e partidos democráticos. Esses Bolsonaros da vida são iguais a tosa de porco: muito berro e pouca lã. São figuras bizarras do nosso Congresso que não devem ser levadas a sério.
O Brasil precisa de seriedade com a coisa pública nas ações do governo e o fim da impunidade para os crimes de colarinho branco. Apenas isso, caso contrário, haja panelas para os panelaços e militantes para compartilhar memes nas redes sociais.

Um comentário:

Renata Ramos disse...

"Tosa de porco" kkkkk ri alto aqui! Adoro essas analogias