segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Um dia de Vento Norte

Um dia de Vento Norte causa transtornos em nossa rotina. Na madrugada percebemos sua chegada pelos assobios nas portas e frinchas das janelas.
Nos programas de rádios as manchetes se sucedem: Rajadas de vento do quadrante norte. Vento forte e temperatura elevada. O Vento Norte, uma das características de Santa Maria, agita a vida dos santa-marienses.
O Vento Norte é conhecido desde os tempos das primeiras ocupações no Rio Grande do Sul. No século XIX, Saint-Hilaire foi um dos pesquisadores que o identificou. Quando os militares acamparam por essas bandas, o Vento Norte já movimentava as lonas das barracas e agitava as bandeiras.
Santa Maria possui vários elementos naturais – morros, vales e planuras – mas o Vento Norte tem um significado especial e o carinho dos habitantes da terra de Imembuy. Odiamos, xingamos, amaldiçoamos, mas convivemos com esse desconforto. É uma relação de amor e ódio. Quem não praguejou na esquina da Rua Acampamento com a antiga Rua 24 horas ou na Floriano com a Bozano em manhã ventania?
O Vento Norte acontece em qualquer época do ano; não está restrito ao inverno, como é o caso do Vento Minuano. Esse vento está sempre na espreita e desmancha os penteados, esvoaça as cabeleiras e levanta as saias das gurias. É um vento malandro. Ponto para o Vento Norte. Mas também, danifica telhados, derruba muros e árvores. Vem de longe esse Vento Norte!
Certa feita perguntaram a um antigo morador de Osório qual seria a receita para ficar rico. Sendo um velho conhecedor da região, respondeu: se eu pudesse engarrafar o vento eu seria um homem rico. O Vento Norte de Santa Maria também é um antigo parceiro da cidade e não temos a intenção de engarrafá-lo, mas se o Vento Norte contasse as histórias de suas andanças, certamente, contaria muitos causos dessa Santa Maria cheia de graça, nos mais ínfimos detalhes.
Penso que o Vento Norte nos contou muitas histórias nesses últimos 150 maios, nós é que não tivemos a capacidade de ouvi-lo porque estamos sempre na dúvida entre o guarda-chuva e o casaquinho de moletom.

Um comentário:

luziasan disse...

Athos,
Érico Veríssimo, no livro de viagens, Israel em abril, fala sobre um vento que tem por lá. É um vento quente, que incomoda as pessoas.
Quando alguém comete um crime e consegue provar que foi no dia do tal vento, consegue atenuantes.
Luzia Sant'Anna