segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As cartas não estão na mesa

twitter.com/athosronaldo

O jornal Financial Times de Londres previu que a Dilma vencerá as eleições presidenciais e o Brasil ganhará a Copa da África do Sul.
A seleção Canarinho sempre será favorita em qualquer competição. E se Nilmar, Pato e Vitor forem titulares, também coloco minhas fichas na turma de Dunga.
No entanto, a seleção presidencial, opa, eleição presidencial, o furo é um pouco mais embaixo. Ainda estamos diante de uma incógnita. Temos um quadro obscuro em que os candidatos não estão expostos para o debate e programa de governo. Os dois principais candidatos passeiam livremente pela mídia, entre sorrisos e farpas. Dilma está colada em Lula e Serra negando a candidatura. Para uma análise, minimamente consistente, precisamos de dados mais concretos. Em 2002 Lula representava a mudança, um novo horizonte a esperança. Qual o mote dessa campanha? Qual o grande tema? Quais os anseios do povo para 2010? Os medos ideológicos de outrora foram superados? Haverá um detalhe que modificará o resultado do jogo aos 45 minutos do segundo tempo?
Os percentuais de Serra e Dilma somados chegam a 60 ou 70%, haveria espaço para uma terceira via? Qual o fôlego de Marina e Ciro? Para onde vai o voto da esquerda tradicional e da direita reacionária? Podemos dizer que a eleição está e será polarizada. Um candidato escolado em eleições e uma estreante, mas ambos calejados na política. José Serra nós sabemos como se comporta diante do vídeo e de um debate. A incógnita é justamente a Dilma Rousseff. Ela definirá a eleição. Contra ou a favor. Um escorregão ou desempenho pífio nos debates pode ser fatal. Uma frase politicamente incorreta pode carimbar o passaporte para a derrota. Dilma não tem histórico no quesito eleitoral, é totalmente desconhecida e imprevisível. Por enquanto navega nas tranquilas águas da praia de Lula. Existem casos recentes de transferência de votos, mas o carisma é intransferível. E Dilma é o oposto de Lula.
Com essas inúmeras variáveis as previsões tornam-se pouco palpáveis. Assim, qualquer prognóstico vira chute ou paixão. Então, nesse início de ano, as cartas ainda não estão na mesa. Os times não estão escalados. Muita água vai rolar pelas ruas de nossas cidades antes de os contendores desse pleito estiverem a postos.

3 comentários:

maiquel disse...

Gostei. Vou pegar este artigo emprestado para um jornal sindical que tenho que fechar hoje.
Valeu!

Rejo Friedrich disse...

Concordo com a frase: "Dilma é o oposto de Lula", pois sempre achei a Dilma muito capaz, desde a época em que era secretária de estado aqui no RS, só que para o público ela é tida como antipática, já o Lula parece o contrário, muito sedutor e agradável para o público em geral, mas de competência duvidosa, ou seja, acho que a Dilma tá lascada nas próximas eleições.

evandro disse...

Colega Athos,
concordo plenamente que ainda não é possível indicar os favoritos, até por que ainda não foram definidos oficilamente os candidados. Mas uma análise que pode ser feita é pela rejeição de cada candidato ou legenda. Tem aqueles que não votarão no PT, PSDB, etc mesmo que o canditado fosse o Criador. Ou ainda, não votariam na Dilma, no Serra etc. mesmo que isso aparececesse estrito nas sagradas escrituras. Então, uma pesquisa de rejeição já seria um indicativo interessante. Vamos esperar.