terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Extradição

Athos Ronaldo Miralha da Cunha
twitter.com/athosronaldo

A última atitude de Lula como presidente foi uma ação extremamente política. Não assinou a extradição de Cesare Battisti.
Assim, a polêmica foi instaurada na mídia. Muitos debates e inúmeras teses. E todos os formadores de opinião deram o seu pitaco. Com o caso Battisti afloram as rusgas entaipadas entre a direita e a esquerda verde-amarela. Se esse assunto vem à tona na copa do mundo, não tenho dúvidas, o polvo Paul daria seu palpite. E seria taxado de comunista ou direitoso.
O ex-guerrilheiro italiano ainda deverá se assunto em muitas páginas de jornal. Se uma despretensiosa bolinha de papel causou um deus-nos-acuda na última eleição, imagino o alvoroço que será quando o governo italiano recorrer à corte de Haia.
No entanto, no meu entendimento, o debate deve ser político. Cesare Battisti foi guerrilheiro na Itália da década de 70. E militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Hoje parece meio estranho, meio fora de moda. A expressão “proletários armados” soa como algo alheio aos anseios da nossa sociedade. Mas para analisarmos com parcimônia devemos levar em conta a conjuntura política na Itália da década de 70. Na Itália, bem como no Brasil, aquele período induzia e provocava a proliferação de grupos guerrilheiros que sonhavam com a revolução pelas armas. Todo militante de esquerda era um Che Guevara em potencial.
Uma das questões amplamente debatidas é sobre o tipo de crime cometido pelo italiano, se foram políticos ou comuns. E nessa discussão os adeptos da tese de crime comum, por consequência, favoráveis a extradição, são os mesmos que guardam a 49 chaves os arquivos da ditadura brasileira. Mas isso é outra vertente do mesmo tema.
Particularmente, não consigo raciocinar juridicamente, nem tenho aptidão para tal, portanto, na política a Cesare o que é de Cesare. Penso que Lula fez o que deveria ser feito. Na pior das hipóteses, e do tempo decorrido, devemos acatar o benefício da dúvida sobre a real ação de Battisti no grupo revolucionário e nos crimes cometidos. E, além do mais, Lula não iria extraditar um militante do PAC (sic) uma das siglas mais festejadas no Brasil nos últimos tempos.
Certamente, os adeptos das teses da extradição alegam que Battisti já foi condenado pela justiça italiana e essa tecla será batida até que, numa próxima eleição, outra bolinha de papel desvie o foco das atenções.
Enfim, nunca participei de um partido revolucionário, e nem lutei contra a ditadura – não tinha idade para isso –, mas se o STF quiser me extraditar para a França eu não coloco empecilho. Não vou alegar perseguição política. Topo sem pestanejar. Viver como um perseguido político ou criminoso comum em Paris não deve ser de todo ruim.

Um comentário:

maiquel disse...

Peguei este texto emprestado