quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O mito aposentado

Fidel Castro foi uma das figuras mais controversas do século XX. Ao anunciar sua aposentadoria deixa um quê de fim de uma Era para os sonhadores da revolução socialista e um “já foi tarde” para os anticomunistas de carteirinha.
O comandante Fidel foi protagonista de uma das mais belas páginas da história contemporânea na vitoriosa revolução cubana em 1959. Para analisarmos aquele episódio, devemos fazer uma contextualização histórica: estávamos sob a égide da Guerra-fria, havia uma polarização ideológica entre socialismo e capitalismo, uma polarização bélica entre OTAN e Pacto de Varsóvia. Então, a vitória dos marxistas em uma ilha do Caribe a 140 km da maior potência capitalista do mundo é uma bravura memorável. A primeira revolução na América foi celebrada pela esquerda no mundo todo. Tomamos cuba libre para festejar os guerrilheiros de Sierra Maestra.
Numa visão desapaixonada, quem, hoje, com mais 50 anos não deu vivas a Fidel Castro e Che Guevara?
Mas o mundo mudou. A União Soviética degringolou e o socialismo real não era lá bem o que imaginávamos. E a Cuba de Fidel sobreviveu, a duras penas, ao embargo Norte Americano e a queda do muro de Berlim em 89 e continuou firme nos seus propósitos socialistas. Hoje, Cuba é um exemplo nos avanços sociais no que tange a educação e saúde pública referente à medicina preventiva. Mas falta em Cuba a liberdade de imprensa, o direto de ir e vir e o pluripartidarismo. Cuba carece de democracia.
Embora todas as idiossincrasias que envolvem o comandante, penso que Fidel passará à história como um revolucionário que sonhava com um mundo melhor. Fidel foi fiel aos seus princípios ideológicos. O que não quer dizer que concordemos com essa postura.
Ao lermos a notícia da renúncia de Fidel ao Conselho de Estado e à chefia das Forças Armadas, percebemos que sai de cena o último revolucionário. E temos a impressão que não há mais motivos para uma revolução, não há mais espaço para o sonho e não há mais utopia para ser sonhada. É uma despedida melancólica. Estávamos acostumados com um Fidel rígido e eloqüente no seu uniforme verde-oliva discursando para milhares de pessoas. E, temos nessa despedida um comandante magérrimo, doente e ensimesmado em seu abrigo Adidas.
O presidente Lula afirmou que Fidel Castro é o último mito vivo. Mas os mitos e as revoluções também envelhecem. Cuba sobreviverá. E esperamos que os novos dirigentes aprimorem os projetos sociais e democratizem a Cuba para podermos sonhar novamente. Hasta siempre.

Um comentário:

Aguinaldo Medici Severino disse...

Alô, alô Athos, vai de cá um abraço. Vou passar a acompanhar teu blog.
Inté