domingo, 14 de dezembro de 2008

Tsunami econômica

Algumas semanas após o trágico acontecimento do tsunami que devastou a Indonésia na Ilha de Java, um dos programas do Discovery Chanel, a manchete era instigante. Os elefantes perceberam antes, os habitantes na hora e os cientistas depois.
A crise econômica estava anunciada, mas nenhum doutor em economia conseguiu prever. Não havia um atento “elefante” no mercado.
O mercado imobiliário americano andava capenga e explicitava uma crise de amplitude global. Todos percebemos depois. Ninguém avisou ninguém. Pelo contrário, a economia navegava nas águas do neoliberalismo com as bolsas de valores galgando índices sobre índices. Os especuladores gargalhavam à toa.
A economia mundial bombava. As bolsas eram a alegria dos milionários. A grana internacional girava pelo mundo à cata de ganhos especulativos. O Ibovespa acumulava índices estratosféricos. Quem detinha ações das blue chips brasileiras, sorria seguro com seus ganhos e desempenhos futuros.
Mas a bolha imobiliária americana estourou e o mundo econômico veio abaixo. E, parece que essa ladeira não tem fim. As ações da Petrobras projetadas para o valor de R$ 60,00 para dezembro de 2008 não conseguem ultrapassar a casa dos R$ 23,00.
As demissões mundo afora se sucedem. Estão na berlinda um milhão de empregos. A General Motors está a beira da falência e solicita, ou implora, um empréstimo de 4 bilhões de dólares aos cofres públicos dos Estados Unidos. E daí, Obama?
Aqui na terrinha o Unibanco se uniu ao Itaú e todos os formadores de opinião deram vivas ao maior banco do hemisfério sul. Não teve um “elefante” para perceber que está formado o monopólio financeiro no país. Nós, que percebemos na hora, não veremos redução das tarifas, das filas, e de investimentos no social. Nós, que percebemos na hora, veremos tão somente as demissões de bancários e fechamento de agências. A maior especulação dos nobilíssimos analistas econômicos é de quando será a fusão do Banco do Brasil com a Caixa.
Em contrapartida, e para salvaguardar uma apoteótica crise no Brasil, o governo Lula propõe a redução do Imposto de Renda – uma nova tabela que alivia a classe média – e redução do IPI para carros populares para fomentar a nossa vã economia e pede para que o povo gaste e consuma. Então, vamos sair gastando adoidado. Endividados, mas com um carro novo na garagem.
Realmente, "há mais mistérios entre a bolha imobiliária americana e a fusão do Itaú com o Unibanco do que pressupõe a vossa vã tsunami econômica”.

4 comentários:

Thaís disse...

Olá Athos, como vai?
Gostei muito de teu texto. É de uma visão crítica assim que nossa sociedade precisa.
Agora, tu diz no teu texto: "o governo Lula propõe a redução do Imposto de Renda – uma nova tabela que alivia a classe média – e redução do IPI para carros populares para fomentar a nossa vã economia e pede para que o povo gaste e consuma. Então, vamos sair gastando adoidado. Endividados, mas com um carro novo na garagem."

Ok, o governo está tentando movimentar a economia, e isso não é bom? Ou, na tua opinião, há outros meios de se fazer isso?

Tudo de bom.
Um abraço!

Athos Ronaldo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha disse...

Oi Thais.
Sou da opinião que devemos economizar. E não sair gastando adoidado.
Abraços.

Thaís disse...

Olá, Athos!
Obrigada por compartilhar sua opinião.
Ok, tu estás certo na questão de economizar. Concordo plenamente.
Mas creio que é uma questão de cada um. Veja só, o governo precisava encontrar uma maneira de movimentar a economia, de fazer o dinheiro circular. Em meio a crise, é evidente que a população estava receosa em gastar. Então suponho que tenha sido uma ótima saída essa de redução de certos impostos. Cabe a cada um decidir o momento e em que gastar. É claro que haverá pessoas que extrapolarão e se endividarão, assim como haverá os que manterão a cautela. Mas como disse, depende de cada consumidor.

Espero continuarmos expondo nossas opiniões!
Grande abraço!